LOGO PPGCAS
UFJ

THARLLEY RODRIGO EUGENIO DUARTE

AUTOR: THARLLEY RODRIGO EUGENIO DUARTE
TÍTULO:  DIAGNÓSTICO E FILOGENIA MOLECULAR DOS VÍRUS DA FEBRE AMARELA A PARTIR DE AMOSTRAS HUMANAS NEGATIVAS PARA O VÍRUS DENGUE
ORIENTADOR:    Dr. Marcos Lázaro Moreli
DATA DE APROVAÇÃO: 26/04/2018

 

Resumo:

O Brasil é o maior celeiro de arbovírus do mundo e apresenta a maior área endêmica de febre amarela (FA). O Ministério da Saúde notificou, em 2017, 1170 casos suspeitos de febre amarela, sendo que desses 847 estão em investigação, 93 foram descartados e 230 foram confirmados, sendo nos estados de Minas Gerais (201), Espírito Santo (25) e São Paulo (4). Do total de casos notificados, 186 evoluíram para óbito, sendo que 104 óbitos permanecem em investigação, 79 óbitos foram confirmados e 3 foram descartados. A taxa de letalidade entre os casos confirmados foi de 34,3%. Para FA não há tratamento específico, no entanto, a vacinação é eficaz sendo a única e melhor maneira de prevenção. Justamente por esse fator e outros envolvidos o diagnóstico da FA não é feito no sistema de saúde a não ser por uma suspeita relevante. O problema é que em muitos casos os vírus passam despercebidos em casos de infecção pelo vírus Dengue por apresentar reatividade cruzada entre membros do gênero Flavívirus ou por apresentar sintomas inespecíficos. O presente estudo analisou 118 amostras que foram triadas para infecções suspeitas de Vírus da Dengue (VDEN) referentes ao ano de 2011 a 2013, porém descartadas para esta virose por terem dado resultados negativos para o agente viral através de testes sorológicos e moleculares no município de Goiânia, Goiás. As amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Virologia da Universidade Federal de Goiás Regional Jataí e analisadas por métodos moleculares, como o de RT-PCR e Nested-PCR seguida da verificação do amplicon por eletroforese em gel de Agarose. Dentre as 118 amostras negativas para os vírus DENV, três das amostras foram positivas para o Vírus da Febre Amarela (VFA) conforme produção de amplicons de 253 pb da região NS5 e confirmação da identidade do amplicon por sequenciamento nucleotídico. As sequências obtidas foram submetidas ao BLAST para confirmação da identidade. A sequência traduzida foi analisada pelo software MEGA versão 7.0. Para análise filogenética foi determinado previamente o melhor modelo e em seguida a árvore foi construída com 53 sequências de todos os vírus da Febre Amarela presentes em bancos de dados para uma análise comparativa. As sequências encontradas foram comparadas com sequências do VFA registradas no banco de dados Genbank e identificou-se que se refere a uma porção da proteína não estrutural NS5, posição 216 a 296 desta proteína, conferindo 81 aminoácidos. A árvore representativa demonstrou que as sequências submetidas estavam diretamente relacionadas com táxons do Senegal. A robustez do método filogenético foi por Bootstrap 2000 réplicas utilizando o melhor modelo JTT+G, Maximum Likelihood (Máxima probabilidade). O teste D de Tajima aplicado gerou um valor de D= 1.159570, demonstrando assim que não houve expansão populacional dos táxons analisados, considerando que os mesmos possuem significativo grau de conservação durante a evolução. A partir dos resultados obtidos no estudo, pode-se afirmar que já havia circulação do VFA no ano de 2013, pelo menos de pacientes atendidos na região central do Brasil, antes mesmo do último surto em 2017. 

 

Pdf ícone

TEXTO COMPLETO